A plasticidade cerebral das crianças

transcrição e tradução do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=pnF21M30U_U

Por Fernanda Ferreira

As conexões de neurônios são chamadas de  sinapses. Elas começam a se formar no útero e, em seguida, aumentam extremamente rápido após o nascimento. Setecentas mil novas conexões por segundo são criadas durante os primeiros 5 anos de vida. Tudo o que fazemos na frente do bebê e com ele, tudo o que ele percebe no mundo cria uma ligação em seu cérebro. Ele faz muitas conexão de sinapses. Para provar, um pouco de comparação:

 A rede de Internet global tem mil bilhões de conexões entre os seus websites.
 O cérebro de um adulto, faz o triplo de ligações entre seus neurônios.
 O cérebro da criança tem 10 vezes mais conexões do que a Internet global. Um trilhão de conexões sinápticas.

Isto significa que basta estar em relação com o mundo para criar uma multiplicação de conexões neurais.

É óbvio que a falta de reforço e exploração durante este período, priva o cérebro e causam danos a construção da inteligência. Pois da mesma forma como uma fundação frágil pode minar a estabilidade de uma casa, as fundações frágeis criadas pelo bebê alteram a arquitetura do cérebro do adulto que ele será.

Durante este período, é essencial  para nutrir o cérebro interagir positivamente com a criança e deixá-la explorar o mundo. Em seguida, após este período de criação de milhares de milhões de conexões neuronais, o cérebro começa a limpar a casa. Como você deve ter notado, crescer é perder mais de dois terços das suas possibilidades e tornar-se um especialista das partes mais utilizadas.

O ser humano em crescimento não fica menos inteligente, ele torna-se especialista em língua, cultura, comportamento, que ele regularmente percebe e reproduz. Na verdade, depois de fazer muitas conexões mais usadas, elas serão reforçadas. Por outro lado, as ligações menos utilizadas vão gradualmente enfraquecer e serão eliminadas. Chamamos isso de poda sináptica.

Dito isso, o cérebro não necessariamente conserva as conexões com as melhores experiências. Ele conserva as conexões das experiências mais comuns. Nossa responsabilidade é, portanto, muito grande. Porque, se nossas escolhas são hábitos que irão reforçar algumas conexões e eliminar outras, esta plasticidade cerebral pode as vezes ser uma grande oportunidade ou vulnerabilidade. Jack Shonkoff, da Universidade de Harvard confirma os “avanços da neurociência, biologia molecular e do estudo do genoma tem uma mensagem muito simples. A mensagem é que a experiência precoce é literalemente inscrita  em nossos corpos para melhor ou pior. Vigiemos, portanto, os nossos hábitos, eles estruturam diretamente o cérebro da criança. Tudo isso para  dizer que o cérebro se nutre de nós  e do mundo, portanto  ofereça a ele o melhor.”