COINCIDÊNCIAS EXISTEM? / SINCRONICIDADE

A vida parece que está cheia de coincidências. Você está pensando numa pessoa e, de repente ela aparece. Está falando do vizinho e justo ele telefona. Ou então encontra, por um tremendo acaso aquela pessoa que daí para a frente vai ser fundamental estar em sua vida. Essas estranhas coincidências às vezes se revelam positivas e você considera-se num período de sorte. E às vezes parece que tudo anda contra, é uma desgraça atrás da outra – um tempo de azar. E tanto a sorte como o azar são logo atribuídos ao destino, amigo ou cruel, como se entre o seu estado

interior e os acontecimentos externos, bons ou maus, não pudesse haver nenhuma relação.
Ao estudar as coincidências, JUNG chegou a conclusão de que elas não são tão casuais como parecem, e deu ao fenômeno o nome de sincronicidade.
A principal característica da sincronicidade seria uma significativa relação entre uma vivência interior e um evento exterior: penso numa pessoa e ela telefona.

Para JUNG existe a sincronicidade cada vez que um fenômeno acontece dentro de uma pessoa e fora dela ao mesmo tempo e sem nenhuma ligação lógica aparente. Na sincronicidade portanto, o interior e o exterior como que se combinam para formar um acontecimento. Sabe-se hoje que o tomar consciência de algo seria assim , um poderoso ato criativo no qual a realidade objetiva e a subjetiva se combinam para formar um evento.

À luz da teoria da sincronicidade, fica sempre muito relativo falar em mera coincidência, puro acaso. Correto seria dizer que de alguma maneira produzimos energias tanto para nossas melhores coincidências como para nossas piores ações. E aquilo que chamamos de sorte ou azar está mais ligado ao nosso estado interior do que a um destino caprichoso sem rosto.
A concepção Junguiana de sincronicidade é de que, mediante uma silenciosa e misteriosa troca de energias, nosso estado interior está ativamente ligado a objetos e acontecimentos à nossa volta. Mas é preciso entender bem o que Jung considera sincronicidade. Não se trata por exemplo, de relações de causa e efeito entre o mundo subjetivo e o objetivo. As relações de causa e efeito apenas produzem o que poderíamos chamar de fenômenos normais. Escrever para um amigo e receber a resposta é muito diferente de apenas acordar pensando muito nele e à tarde receber outra carta. A sincronicidade é sempre uma coincidência acausal. Ela é o encontro de duas cadeias paralelas de causa e efeito. O acontecimento exterior vem sempre reforçar, ilustrar, ampliar uma busca interna marcante.
Longe de ser uma pura relação de causa e efeito, tipo aumento do dólar, aumento dos importados, a sincronicidade significa uma vivência ilógica, muda, secreta, pessoal. Muitas vezes decisiva, mas difícil de ser percebida em sua totalidade no momento que acontece. Só de um outro ponto de vista pode ser integralmente compreendida, assimilada, contada. Às vezes é preciso até viver muitos anos para, olhando o passado, dizer: como aquele fato, aquele dia foi importante, a vida inteira parece que só me preparei para ele.

Como aprender a ter sorte?

Preparar-se para sincronicidades felizes. Certa sincronicidade interna, certo “estar bem consigo mesmo” tende a produzir coincidências felizes. Pessoa sincrônica é aquela que tem suas necessidades internas alimentadas pela realidade exterior. Ela se conhece bem, sabe o que quer, caminha na direção do que precisa e assim cedo ou tarde, a vida se move a seu favor. Quem pelo contrário é infiel às suas verdades internas, finge em relação a si próprio, não sabe o que quer, se arrisca a entrar neste campo de energias contraditórias, negativas, a que costumamos chamar de azar. Ouvir bem seus desejos é fundamental para uma fiel relação de energias com a vida.
O que a gente de fato quer, nem sempre corresponde àquilo que a gente pensa que quer.”

Extraído do texto “Quem faz o Azar” de Doucy Douek / Psicóloga clínica