Há um cais do porto

Fernanda Ferreira

Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

(Herbert Vianna)

A primeira vez que vi a propaganda em que o Herbert Vianna declama essa parte da musica, fiquei uns minutos pensando na mensagem que ela passa. A ideia do produto do comercial é que as pessoas contem suas histórias de vida. Mas olha como nada é por acaso: Herbert escreveu essa música na década de 80, muitos anos antes de seu acidente e a música continua fazendo todo sentido. Suas marcas continuam fazendo parte do que é agora, mas apesar de tudo ainda vive, ama, trabalha se diverte e sabe se virar.

Posso ficar a vida toda falando da história das pessoas, sejam elas famosas ou anônimas. Mas ao refletir sobre essa propaganda me faz lembrar uma frase do Sartre: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.” A mensagem que Herbert passa para todos nós é que as experiências sejam elas boas ou ruins fazem parte de nossas vidas e que somos capazes de aprender a nos virar.

O que vai fazer com o que fizeram de você? Sei que não é fácil, é preciso suporte, às vezes a necessidade é tão grande que basta um empurrãozinho de alguém. Mas acreditar em si é o mais importante. Ser capaz de superar, se recuperar apesar das feridas é um conceito chamado resiliência. Isso só é possível quando fazemos contato com a tal ferida e cuidamos dela. Quando entramos realmente na dor. Se simplesmente tentamos esquecer a qualquer momento essa ferida pode voltar a sangrar, mesmo tendo passado muitos e muitos anos.

Haverá sempre um cais de porto pra quem precisa e quer chegar!