O luto pela separação nas relações amorosas

Maria Helena Alcântara Lisboa

Do Desespero ao Alívio

Lavínia Ximenez

Situação difícil
A tal da separação
Tirar a aliança,
Cortar o elo,ocordão
“Abortar um ideal”
Que virou desilusão

Situação necessária
A tal da separação
Romper a aliança
Que gerava afliação
Fecundar novo ideal
De vida e realização

É hora de dor e perda
Angústia e sofrimento
Em que mulher e homem,
Cada qual em seu momento,
Reencontra a alegria,
O sossego e novo alento.

Escrever sobre este tema para mim é um desafio. Vem a pergunta: o que a separação tem a ver com luto e mais, luto não reconhecido? Nosso objeto de estudo é a separação como luto não reconhecido em nosso contexto cultural. Faremos um percorrido sobre escolhas amorosas, incluindo as diferenças sociais que são os laços por homossexualidade, e os amantes.

Homossexualidade

“ Além da dor de chorar todos os dias de saudades,
Não posso fazer isso na frente da minha mãe.
Ela não entenderia meu amor por uma mulher.
Eu choro sozinha,ou com meus amigos gays,
porque daí fico á vontade e eles me entendem.”

(E.Z)

Com o declínio da religiosidade e com as mudanças culturais, os homossexuais vivem relações cada vez mais intensas e duradouras, porém sem direito ao choro, à dor, ao luto, pois são relações fora do esperado.

Amantes

“Oh!Pedaço de mim.
Oh!Metade arrancada de mim.
Leva o vulto teu.
Que a saudade é o revés de um parto.”


Chico Buarque

Podemos, também, pensar que assim como na homossexualidade, o laço dos amantes não é reconhecido. Essas relações dão-se às escondidas. Se por um lado o desejo brota pela proibição, por outro lado esta interdição social leva o sujeito à dor e ao sofrimento. O amor tem no seu bojo a ambivalência, apontada por Freud e cantada por músicos e poetas.O amor dos amantes acirra esses sentimentos. É só lembrarmos das histórias de amor da literatura clássica. Romeu e Julieta, amantes inseparáveis, diante da impossibilidade do seu amor, optam pela eternidade da morte,uma forma fantasiosa de amor oceânico, amor para sempre.
Vale a pena lembrar o que nos diz Chico Buarque:

“…O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que contam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasias dos infelizes…
Que está no dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos…”

Retornando aos poetas, com toda sua sensibilidade, nos apontam a falta da validação social do luto por parte dos amantes, apontando a exclusão. Assim como na homossexualidade, não há rede de apoio para estes enlutados, se é que são reconhecidos como enlutados.

Casamento

“Eu sei que vou te amar.
Por toda minha vida eu vou te amar”

Vinícius de Moraes