O silêncio: Quando o nada é tudo

Sandra Rosenfeld

Não há som mais perturbador, mais intimidador, mais barulhento e muitas vezes irritante do que o silêncio. No entanto, também não há som mais apaziguador, mais intimista, mais aconchegante, mais nobre do que o silêncio.

O silêncio é assim duo e ao mesmo tempo uno. É carrasco e salvador. Dependendo sempre da ocasião. Entre amores o silêncio pode ser devastador quando no meio de uma discussão uma das partes silencia, não retruca, não diz que sim nem que não, simplesmente cala e assim o outro fica ali perplexo, irritado, se sentindo desprezado, confuso. Este mesmo silêncio, não, este mesmo não, mas o silêncio, na mesma situação, pode fazer a grande diferença e aproximar, pelo encanto do vazio, quando verdadeiro. É quando o silêncio aconchega, traz para perto, compreende, aceita, perdoa.

O silêncio nunca é apenas da fala, seria tão mais simples se fosse, mas é preciso silenciar primeiro a mente, porque é ela quem comanda todo o resto. A mente por si só já faz muito barulho, incomoda e muitas vezes faz do seu senhor seu escravo, não dando paz, sossego e autonomia. Ela manda e desmanda num som ensurdecedor. E todos sentimos que é preciso se alforriar, se fazer senhor de fato, tomar as rédeas da própria vida, do nosso pensar, do nosso querer, das nossas emoções e ações. Ma, para isso, é imprescindível aquietar e dominar a mente, muitas vezes insana, incoerente.

O silêncio é forte, é decisivo na nossa vida. É ele que nos faz pensar com clareza, aceitar os fatos, compreender o até então incompreendido. O outro faz silêncio e nos obriga a silenciar também e a repensar tudo. É incrível como o silêncio nos desperta para a vida. E é assim que também funciona com a gente para a gente mesmo. Confuso? Então vou explicar. É no silêncio que nos descobrimos, que fazemos contato com a nossa essência, que transcendemos.

O silêncio diz muito sem precisar dizer nada. Basta apenas escutá-lo para compreender tudo. O difícil está aí, no escutá-lo, porque para escutar é necessário calar, silenciar. É um exercício que necessita ser praticado com calma e perseverança. Não basta calar a boca, é preciso também calar a mente, caso contrário a escuta é boicotada, fica sempre incompleta.

Há o silêncio que castiga. Tem pessoas que usam o silêncio para este fim. Há também os que se escondem atrás do silêncio. Mas há aqueles que libertam e são libertados pelo silêncio. Agora silencie um pouco, respire pausadamente, observe a sua mente e o seu corpo no silêncio. Apenas isso.

Sobre a autora

Sandra Rosenfeld é Consultora em Qualidade de Vida Pessoal (QVP) e no Trabalho (QVT) utilizando como ferramenta a meditação. Escritora, autora do livro O que é Meditação, ed. Nova Era. Ministrante de palestras, cursos e workshops para relaxar, lidar melhor com as situações de estresse e desenvolver atenção e concentração.
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