Síndrome de Burnout entre os estudantes.

Por Fernanda P. D. Ferreira

A síndrome de Burnout é mais conhecida no local de trabalho, mas o aluno ou a aluna não está imune à exaustão, que é, contudo, não tão facilmente reconhecida ou tratada, em primeiro lugar, por si só, mas também pela sua família. O estresse em um nível elevado, exagerada preocupação com o desempenho como se não tivesse o direito de cometer erros e perfeccionismo, associados com a depressão pode levar ao suicídio.

Cada aluno e cada aluna têm obrigações escolares, financeiras e sociais a que ele ou ela está enfrentando. Além de seus estudos e um trabalho exigente, muitas vezes mal pago, suas redes sociais pedem atenção o tempo todo. Em tempos de estresse, como durante as provas, o equilíbrio é precário e o tempo disponível para o estudo é muitas vezes insuficiente. As horas de sono que lhe são atribuídas, muitas vezes são as primeiras a sofrer diminuição. Se ocorrerem problemas pessoais, juntamente com fadiga e má alimentação, a exaustão pode acontecer muito rapidamente. Não percebendo a deterioração de sua condição, se esforçam para continuar a satisfazer todos os pedidos, isso caracteriza parte da síndrome de Burnout. Portanto, quanto mais o aluno está decepcionado, mais ele trabalha duro. Sua ansiedade aumenta, a qualidade do desempenho diminui e as falhas se tornam mais dolorosa.

A entrada para a universidade, o desenvolvimento de habilidades sociais e a busca da identidade são todos os elementos que afetam o futuro do jovem que exigem alta capacidade de adaptação. Enquanto a maioria consegue atravessar essas várias etapas com sucesso, alguns deles vão ver a sua saúde mental fragilizada e manifestar sofrimento psíquico o que pode levar ao surgimento de transtornos mentais, como transtornos de ansiedade e distúrbios do humor.

A maioria dos jovens tentar resolver os seus próprios problemas ou procurar a ajuda de amigos ou familiares, mas em muitos casos a ajuda profissional é de extrema importância. Um estudante de medicina em cinco considerou o suicídio de acordo com uma pesquisa realizada pela Federação de Estudantes de Medicina de Quebec, Canadá em 2012. O elevado nível de exigência e grande volume de estudo, combinado com perfeccionismo e estudantes extremamente dedicados é um sinal de alerta em universidades canadenses.

As 12 fases de desenvolvimento da síndrome de Burnout.

1. Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz;
2. Dedicação intensificada – com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia;
3. Descaso com as necessidades pessoais. Por exemplo: comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
4. Recalque de conflitos: o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. Quando ocorrem as manifestações físicas.
5. Reinterpretação dos valores – isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da autoestima é o trabalho ou o estudo.
6. Negação de problemas – nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contatos sociais são repelidos. Cinismo e agressão são os sinais mais evidentes.
7. Recolhimento e aversão a encontros sociais (anti-socialização).
8. Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor).
9. Despersonalização (evitar o diálogo e dar prioridade aos e-mails, mensagens, recados etc.);
10. Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;
11. Depressão – marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
12. Finalmente, a síndrome de Burnout propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica tem que ser prestadas com urgência.

A doença é uma tentativa de auto-regulação do corpo. Ele vai criar neurose para tentar restaurar o equilíbrio quando se é perturbado. Portanto combater a neurose não é a melhor maneira de resolver o problema, porque iremos lutar contra a vitalidade geral do corpo.

Assim Delacroix escreveu: “Estamos em um paradigma que pensa homem na globalidade: o homem só é concebível em sua relação com o meio ambiente; por definição, ele sabia colocar sua experiência de estar envolvido na vida humana em um número de interações e sobre consciência que desenvolve a sua relação com os diversos elementos do campo ao qual pertence.”

Em 2014, na cidade de Montreal, uma estudante de medicina cometeu suicídio, porque ela vivia cada dia o estresse a um nível elevado, combinado com uma sensação de não ter espaço para erro. Ela fez uma depressão maior, e voltou a trabalhar depois de quatro meses de licença médica. Este não foi o seu primeiro episódio depressivo. Dois anos antes, ela havia sido diagnosticada com transtorno de personalidade, que não tinha impedido de continuar a estudar.

Os alunos são capazes de prosseguir os seus estudos de forma satisfatória, mas podem retornar a ter episódios depressivos e em alto risco de suicídio. A depressão é a última etapa antes da síndrome de Burnout. Embora o estudante possa se formar com honras, há um risco de recorrência da síndrome do esgotamento no ambiente de trabalho ou o desenvolvimento de outra doença.

O mais importante é prevenir o desenvolvimento da doença psicológica entre alunos. No entanto após que a síndrome se instala, a psicoterapia pode, num primeiro momento, ajudar o paciente a desenvolver ferramentas emocionais para sair da crise. A psicoterapia a longo termo desenvolve o processo de conhecimento e reconhecimento das emoções, autorregulação, aprendizagem de sua relação consigo mesmo e com os outros e principalmente a consciência de si mesmo.

Outras mudanças na vida, tão importantes quanto à psicoterapia precisam ser feitas: alimentação adequada, exercício físicos, fazer algo agradável, ter um bom sono, etc., também são importante para reduzir o risco da reincidência de episódios depressivos e pensamentos suicidas. No entanto é de extrema importância ir ao médico para tratamento adequado.

Bibliografia

http://www.fondationdesmaladiesmentales.org/
https://www.aide.ulaval.ca/psychologie/boite-a-outils/difficultes-frequentes/l-epuisement-etudiant/
Delacroix J.-M. (2006): La Troisième Histoire. Patient-psychothérapeute : fonds et formes du processus relationnel, Dangles, St-Jean-de-Braye.